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Lipedema em Homens: o Que Mostra a Evidência Brasileira

O lipedema é descrito há décadas como uma doença de mulheres, e isso tem uma consequência prática dura: homens com a doença quase nunca recebem o diagnóstico. Eles ouvem que é obesidade, que é retenção de líquido, que é falta de disciplina — e seguem anos sem tratamento adequado.

É raro, mas existe. E há evidência brasileira recente documentando isso. Esta página, produzida pela Associação Brasileira de Lipedema, reúne o que se sabe.

O que mostra a série de casos brasileira

Um estudo publicado em 2025 na revista Cureus, conduzido em um centro de referência brasileiro, acompanhou cinco pacientes do sexo masculino diagnosticados com lipedema entre 2022 e 2024. É uma das maiores séries de casos de lipedema masculino já publicadas no país.

Os achados principais:

  • O padrão clínico foi o mesmo descrito em mulheres: acúmulo de gordura bilateral e simétrico nas pernas, desproporcional ao restante do corpo, com dor, sensibilidade ao toque e hematomas fáceis.
  • 80% tinham ao menos uma doença endócrina associada, como diabetes, hipotireoidismo ou síndrome metabólica — o que reforça a leitura de que o lipedema não é simplesmente obesidade.
  • 60% relataram histórico familiar, com mãe ou irmãs com pernas de padrão semelhante.
  • Todos responderam ao tratamento conservador, sem necessidade de cirurgia. Em média, 7 kg de perda de peso e 2,5 litros de redução de volume nas pernas em poucas semanas de acompanhamento.
  • Nenhum efeito adverso relacionado ao tratamento foi registrado.
  • Um paciente testou positivo para os marcadores HLA-DQ2 e HLA-DQ8, associados à sensibilidade ao glúten — pista de que, em parte dos casos, o componente inflamatório alimentar pode pesar.

Duas histórias ilustram o atraso diagnóstico típico: um paciente de 58 anos que fez cirurgia bariátrica e perdeu mais de 50 kg, com as pernas permanecendo desproporcionais; e um de 31 anos que treina há anos, mantém boa forma no restante do corpo e não consegue reduzir coxas e panturrilhas.

É importante ler esse dado com a cautela que ele pede: cinco pacientes é uma série pequena, sem grupo de comparação. Serve para demonstrar que a doença ocorre em homens e que o tratamento funciona, não para estimar frequência nem para definir protocolo. Os próprios autores apontam a necessidade de estudos maiores. A análise completa do estudo está publicada aqui no site.

Por que é tão raro em homens

O lipedema tem ligação clara com hormônios femininos — daí o início ou a piora na puberdade, na gestação e na menopausa. Em homens, a doença aparece sobretudo em contextos de alteração hormonal, como quadros com redução de testosterona, uso de terapias hormonais, doença hepática ou distúrbios endócrinos, situações em que o equilíbrio hormonal se desloca.

Some-se a isso um viés de reconhecimento: como se ensina que é doença de mulher, ninguém procura em homem. Parte da raridade observada é raridade real, e parte é subdiagnóstico.

Quando um homem deve investigar

Os critérios são os mesmos aplicados às mulheres. Vale procurar avaliação se houver a combinação de:

  • Acúmulo de gordura simétrico e bilateral nas pernas, desproporcional ao tronco.
  • Pés poupados, com degrau visível no tornozelo.
  • Dor ou sensibilidade ao toque nas coxas e pernas.
  • Hematomas que aparecem sem trauma.
  • Persistência do volume nas pernas mesmo após emagrecer, inclusive após bariátrica.
  • Histórico familiar de pernas com esse padrão, geralmente em mulheres da família.

Como o quadro em homens costuma vir acompanhado de alterações endócrinas, a avaliação hormonal e metabólica tende a fazer parte da investigação, ao lado do exame clínico. Não existe exame que feche o diagnóstico sozinho: ele é clínico.

O tratamento é o mesmo

Não há tratamento específico para homens. Valem os mesmos pilares: compressão, exercício orientado, alimentação anti-inflamatória, terapia descongestiva, cuidado da dor e manejo das condições associadas — com atenção especial ao componente endócrino, que nessa população parece ter peso maior. A série brasileira mostrou resposta consistente ao conservador, sem cirurgia. Tudo está detalhado em tratamento do lipedema.

Um ponto que os homens relatam com frequência é o isolamento: material, grupos e campanhas falam quase sempre no feminino, o que reforça a sensação de que aquilo não é para eles. A comunidade da ABL é aberta a qualquer pessoa com a doença e a familiares.

Para começar, veja o que é o lipedema, faça a autoavaliação gratuita — ela não é restrita a mulheres — e procure profissional com formação, pelo guia qual médico trata lipedema ou pela lista da ABL.

A Associação Brasileira de Lipedema é uma organização sem fins lucrativos, inscrita no CNPJ 35.839.205/0001-40, mantida por doações e trabalho voluntário. Não fazemos atendimento clínico, não emitimos diagnóstico e não agendamos consultas.

Perguntas frequentes

Homem pode ter lipedema?

Sim, embora seja raro. Uma série de casos brasileira publicada em 2025 acompanhou cinco pacientes do sexo masculino com o mesmo padrão clínico descrito em mulheres.

Por que o lipedema é raro em homens?

A doença tem ligação com hormônios femininos. Em homens aparece sobretudo em contextos de alteração hormonal e endócrina. Parte da raridade observada é real e parte é subdiagnóstico, porque a hipótese raramente é considerada.

Quando um homem deve investigar lipedema?

Quando há acúmulo simétrico e bilateral nas pernas desproporcional ao tronco, pés poupados, dor ou sensibilidade ao toque, hematomas fáceis e persistência do volume mesmo após emagrecer, inclusive após bariátrica.

O tratamento em homens é diferente?

Não. Valem os mesmos pilares do tratamento conservador, com atenção especial ao componente endócrino. Na série brasileira, todos responderam sem necessidade de cirurgia.

O que a série de casos brasileira encontrou?

Cinco pacientes acompanhados entre 2022 e 2024: 80% tinham ao menos uma doença endócrina, 60% relataram histórico familiar e todos melhoraram com tratamento conservador, sem efeitos adversos. É uma série pequena e não permite estimar frequência.