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Lipedema em homens: série de casos rara com 5 pacientes

Lipedema em homens: série de casos rara com 5 pacientes

Revisão médica: Dr. Alexandre Amato — CRM-SP 108651 · Série de artigos científicos da ABL

Índice

Apresentação Geral: O que é este estudo e por que importa

O lipedema também afeta homens — e este estudo prova isso

Durante décadas, o lipedema foi considerado uma doença quase exclusiva de mulheres. Mas uma pesquisa publicada em 2025 por médicos do Amato Instituto de Medicina Avançada, em São Paulo, veio mudar essa visão de forma importante.

O estudo acompanhou cinco pacientes do sexo masculino diagnosticados com lipedema entre 2022 e 2024. Todos apresentavam acúmulo de gordura bilateral e simétrico nas pernas, desproporcional ao restante do corpo — a marca registrada dessa doença. E todos responderam bem ao tratamento conservador, sem precisar de cirurgia.

Por que isso importa? Porque o lipedema em homens é profundamente subdiagnosticado. A maioria dos médicos simplesmente não considera a possibilidade. Homens com pernas desproporcionalmente gordas são geralmente diagnosticados com obesidade simples, insuficiência venosa ou linfedema — e tratados de forma inadequada por anos.

Este estudo é uma das maiores séries de casos de lipedema masculino já publicadas no Brasil. Ele abre caminho para que mais homens recebam o diagnóstico correto, o tratamento adequado e, principalmente, a validação de que o que sentem é real — e tem nome.

Se você conhece algum homem com pernas muito mais largas do que o restante do corpo, com dor e sensação de peso nas pernas, este artigo pode ser o começo de uma resposta.

O Problema: Como o lipedema afeta a vida dos homens

“Minha perna sempre foi assim” — mas ninguém explicava por quê

Imagine ter pernas visivelmente mais largas do que o seu corpo inteiro desde jovem. Você faz dieta, malha, perde peso — e as pernas continuam desproporcionais. Você sente dor, inchaço e cansaço nas pernas ao final do dia. E quando vai ao médico, ouve sempre a mesma resposta: “é obesidade”, “é retenção de líquido”, “precisa emagrecer mais”.

Essa é a realidade de muitos homens com lipedema não diagnosticado.

No estudo publicado em 2025, cinco pacientes masculinos de um centro de referência brasileiro compartilharam histórias que se repetem: um de 58 anos que fez cirurgia bariátrica, perdeu mais de 50 kg — e as pernas permaneceram desproporcionais. Outro de 31 anos que malha três vezes por semana há anos, mantém boa forma no restante do corpo, mas não consegue reduzir o volume nas coxas e panturrilhas. Um terceiro que evitava usar bermuda por vergonha da aparência das pernas.

Além do aspecto físico, o lipedema traz dor real — sensibilidade ao toque, equimoses fáceis (roxos que aparecem sem bater), e inchaço que piora ao longo do dia. Em 80% dos casos desta série, os pacientes também tinham problemas endócrinos como diabetes, hipotireoidismo ou síndrome metabólica.

O maior problema? O diagnóstico atrasado. Sem o nome certo para o que sentem, esses homens passam anos sendo culpados por uma condição que não é simplesmente falta de esforço.

A Descoberta: O que os pesquisadores encontraram

Os números que mostram que o lipedema masculino é real — e tratável

O estudo acompanhou 5 homens com lipedema por uma média de 6,2 semanas de tratamento conservador. Os resultados foram expressivos:

  • Perda de peso média: 7 kg (variação de 5 a 10 kg)
  • Redução de volume nas pernas: 2,5 litros em média (variação de 1,5 a 4 litros)
  • 100% dos pacientes com dor relataram melhora dos sintomas
  • Zero efeitos adversos relacionados ao tratamento

O caso mais impressionante foi o de um paciente de 44 anos que, em apenas 4 semanas com dieta cetogênica (menos de 20g de carboidratos por dia), perdeu 10 kg e 4 litros de volume nas pernas.

Outro achado relevante: um dos pacientes testou positivo para os marcadores genéticos HLA-DQ2 e HLA-DQ8 — os mesmos associados à sensibilidade ao glúten. Isso sugere que, em alguns homens com lipedema, uma dieta sem glúten pode ter efeito anti-inflamatório importante.

Os pesquisadores também encontraram que 80% dos pacientes tinham pelo menos uma doença endócrina — o que reforça a ideia de que o lipedema não é simplesmente obesidade, mas uma condição com raízes hormonais e genéticas. E 60% tinham histórico familiar: mãe ou irmãs com pernas parecidas.

Os tratamentos usados foram simples: orientação nutricional, exercício de baixo impacto e, em alguns casos, medicações já em uso para outras condições. Sem cirurgia.

O que isso muda na prática: Implicações para pacientes

Se você é homem e tem pernas desproporcionais, peça para ser avaliado para lipedema

O estudo publicado em 2025 traz uma mensagem clara para pacientes e médicos: o lipedema também acontece em homens, e os critérios diagnósticos clássicos se aplicam.

Na prática, isso significa:

Para homens: Se você tem acúmulo de gordura simétrico e bilateral nas pernas (que poupa os pés), dificuldade de perder gordura nas pernas mesmo emagrencendo, dor ou sensibilidade ao toque nas coxas, equimoses fáceis, e histórico familiar de pernas largas em mulheres da família — vale a pena buscar avaliação especializada e mencionar a possibilidade de lipedema.

Para médicos: A pesquisa demonstra que a bioimpedância multifásica é uma ferramenta útil para documentar objetivamente a distribuição desproporcional de gordura nos membros inferiores — um dado que pode sustentar o diagnóstico quando a suspeita clínica existe.

Para o tratamento: Resultados significativos foram alcançados em apenas 4 a 8 semanas com abordagens conservadoras — dieta (cetogênica ou sem glúten em casos HLA positivos), exercício de baixo impacto e acompanhamento endocrinológico. Não é necessário cirurgia como primeira linha.

Para a pesquisa: Os autores alertam que são necessários estudos maiores e prospectivos para estabelecer a real prevalência do lipedema masculino, investigar associações com HLA e definir protocolos de tratamento específicos para homens.

O primeiro passo é o diagnóstico correto. E para chegar a ele, é preciso que médicos e pacientes saibam que essa possibilidade existe.

Você sabia que…?

Você sabia que um homem pode perder 4 litros de volume nas pernas em apenas 4 semanas — sem cirurgia?

Parece exagero, mas está documentado em um estudo científico publicado em 2025 em uma revista médica internacional.

Um dos cinco pacientes da pesquisa — um homem de 44 anos com lipedema — seguiu uma dieta cetogênica rigorosa (menos de 20 gramas de carboidratos por dia) por apenas 4 semanas. Resultado: perdeu 10 kg de peso e 4 litros de volume nas pernas.

Isso não é magia — é a resposta do corpo quando o estímulo inflamatório certo é removido. O lipedema tem um componente inflamatório importante, e a dieta cetogênica é reconhecida por sua ação anti-inflamatória.

Outro dado surpreendente do estudo: estimativas atuais indicam que aproximadamente 0,2% dos homens no mundo têm lipedema — o que parece pouco, mas significa milhões de pessoas globalmente. No Brasil, com mais de 100 milhões de homens adultos, isso representaria centenas de milhares de casos não diagnosticados.

E mais: apesar de o lipedema ser considerado uma doença “quase exclusivamente feminina”, os primeiros casos em homens na literatura médica foram documentados ainda em 2003. Ou seja, já faz mais de 20 anos que a ciência sabe que homens podem ter lipedema — mas a conscientização ainda é mínima.

Compartilhe essa informação. Pode mudar a vida de alguém que ainda não tem resposta para o que sente.

Posts baseados em: Amato AC, Amato JS, Benitti D, Santos KD. Lipedema in Men: A Retrospective Case Series of Five Patients From a Brazilian Referral Center. Cureus. 2025;17(7):e87332. DOI: 10.7759/cureus.87332


Autor e revisor médico: Dr. Alexandre Amato — CRM-SP 108651. Cirurgião vascular, fundador da Associação Brasileira de Lipedema (ABL).

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