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Reconhecimento do lipedema como doença

O reconhecimento do Lipedema como doença, e não estética, trará para as portadoras da doença, a possibilidade de cobertura do tratamento pelos convênios e possibilidade de tratamento pelo SUS, beneficiando mais mulheres portadoras ao invés de poucas com condições financeiras de arcar com os custos.

Como o tratamento envolve várias medidas de saúde, muitas vezes onerosas, para que mais mulheres sejam beneficiadas do tratamento no Brasil, é necessário que haja:

  • Reconhecimento da doença perante a ANS e operadoras de saúde.
    • Reconhecimento de CID-10 e CID-11 próprio do lipedema
      • CID-10 E65 adiposidade localizada,
      • CID-9 278.1 adiposidade localizada
      • No CID-11, ainda não utilizado no Brasil, o Lipedema já é reconhecido com o código EF02.2 e o lipolinfedema como BD93.1Y.
  • Reconhecimento do tratamento cirúrgico
  • Reconhecimento do tratamento coadjuvante
    • Fisioterapia, psicoterapia, acompanhamento nutricional e outros.

O processo de reconhecimento de uma doença e um tratamento não é tão simples quanto pode parecer, necessitando de avaliação por múltiplas instâncias e pessoas. Com comprovação científica, reconhecimento dos médicos no geral, e força política.

É necessário o convencimento, visto que o lipedema não possui exame de imagem ou laboratorial biomarcador definitivo. A anamnese e o exame fisico podem ser subjetivos e aí está a maior dificuldade no reconhecimento.

Se não há exames definitivos, e muitos médicos e profissionais da saúde nem sabem da existência da doença, como fazer para que ela seja reconhecida?

Em primeiro lugar é necessário reconhecer as dificuldades:

  • Dificuldades encontradas para o reconhecimento:
    • No geral, especialidades que realizam Lipoaspiração como tratamento estético (cirurgia plástica, dermatologia, e outras) não desejam a inclusão do código do procedimento cirúrgico como procedimento obrigatório pela ANS, pois isso acarretaria em menos procedimentos particulares. (1, 2, 3)
    • Convênios, operadoras e planos de saúde não desejam a inclusão do código como procedimento obrigatório pela ANS, pois haverá mais custos.
    • Médicos e profissionais de saúde que encaram a doença como problema estético ou “constituição corporal”. Por desconhecimento ou inexperiência.
    • Médicos e profissionais de saúde que, apesar de não serem especialistas no assunto, utilizam-se de marketing para atrair pacientes para tratamentos não reconhecidos.
    • Poucos trabalhos científicos internacionais dedicados ao estudo e qualificação do Lipedema como doença e quase ausência de estudos científicos nacionais.
    • Pacientes e portadoras de lipedema que encaram a doença como problema unicamente, ou prioritariamente, estético. Ou mesmo a divulgação da cirurgia plástica como estética. Podendo diminuir a credibilidade da doença lipedema como entidade nosológica.

Após o reconhecimento das dificuldades, é possível traçar estratégias visando o reconhecimento do Lipedema como doença e seu tratamento a médio a longo prazo.

  • Medidas realizadas pela Associação Brasileira de Lipedema com o intuito de aumentar a disponibilidade do tratamento para todas as portadoras de Lipedema:
    • Reconhecimento científico da doença como causa por danos linfáticos precoces (sistema vascular linfático) e ocasionando obstrução do sistema linfático e linfedema em fases avançadas (1).
      • A especialidade cirurgia vascular (reconhecida e estabelecida no Brasil) e linfologia (ainda não reconhecida no Brasil, mas representada pela Associação Brasileira de Flebologia e Linfologia) são, reconhecidamente, responsáveis pelo tratamento clínico e cirúrgico de doenças linfáticas. O que aumenta a probabilidade de reconhecimento público do Lipedema como doença.
        • A lipologia, estudo das doenças da gordura, é recente e inclui doenças como Madelung, Dercum e lipomas.
      • Reconhecimento da doença lipedema como uma doença sistêmica, de tratamento complexo, envolvendo vários diferentes sistemas ou órgãos: linfática (cirurgia vascular e linfologia), hormonal (endocrinologia e ginecologia), gástrico-intestinal (gastroenterologia e alergologia), manifestações cutâneas e subcutâneas (dermatologia), socio-emocional (psiquiátrica), nutricional (nutrologia), e mais
        • Reconhecimento que Lipedema não é somente gordura localizada.
        • Reconhecimento da necessidade de tratamento clínico e não somente cirúrgico.
        • Reconhecimento que os membros inferiores são particularmente ricas em vasos (artérias, veias e linfáticos).
        • Por isso a importância da formação completa do profissional no tratamento do lipedema, tanto no tratamento e acompanhamento clínico quanto cirúrgico e a criação do curso de formação em tratamento de lipedema para médicos.
      • Desvencilhamento do estigma de tratamento estético correlacionado à especialidade da cirurgia plástica.
    • Incentivar a adoção do CID-11 e/ou adotar medidas para que o CID-10 genérico de adiposidade localizada seja devidamente aceito.
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Dr. Alexandre Amato

O Dr Alexandre Amato é médico, professor de cirurgia vascular da Universidade de Santo Amaro (UNISA), e tem quatro especialidade médicas reconhecidas pelo MEC e respectivas sociedades: cirurgião geral, cirurgião vascular, angiorradiologista e ecografista. Formou-se na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e especializou-se em vários hospitais privados e públicos em São Paulo. Aprofundou-se em cirurgia vascular em Milão, no hospital San Raffaele da Università Vita-Salute. Quando voltou, fez seu doutorado em cirurgia cardiotorácica na Universidade de São Paulo (USP). Fundou a Associação Brasileira de Lipedema para divulgar conhecimento de qualidade às mulheres portadoras de Lipedema.

4 comentários em “Reconhecimento do lipedema como doença”

  1. Gostaria de saber como procurar tratamento pelo sus.
    Sinto dores terríveis todos os dias.
    Estou em processo de emagrecimento. Faço exercícios físicos mas parece que nada adianta. Sou de Campinas SP

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