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Nódulos subcutâneos no lipedema: o que se sente à palpação

Nódulos subcutâneos são formações que se percebem sob a pele. Muitas pessoas com lipedema descrevem “bolinhas” na gordura das pernas ou dos braços, e no exame físico esse achado aparece na palpação — a etapa em que o profissional sente com as mãos a textura, a espessura e a sensibilidade do tecido. Este verbete trata do que se percebe ao toque. O que o exame de imagem mostra está em nódulos no lipedema: o que o ultrassom mostra.

Areia, isopor, ervilhas: como a textura é descrita

Como descrito no livro Propedêutica Vascular, no capítulo sobre lipedema, os critérios diagnósticos incluem a textura: o tecido subcutâneo alargado pode ser granular à palpação, como um saco de areia, ou ter nódulos descritos como bolinhas de isopor ou ervilhas dentro de um saco plástico [1]. O mesmo capítulo registra as comparações que as próprias pacientes fazem — grão de areia, “saco de sagu”, bolinhas de isopor, ervilhas num saco plástico ou, com frequência, “celulite” [1].

As descrições internacionais são parecidas. Uma revisão norte-americana descreve a gordura do lipedema como granular, com textura de “grão de areia”, ou nodular, como “feijões num saco”, e muito sensível à pressão e ao toque [2]. Outra fala em “ervilhas redondas num saco plástico” e acrescenta que nódulos maiores, caroços, lipomas ou angiolipomas também podem ser encontrados [3].

Como o profissional palpa

No roteiro do livro, a palpação superficial avalia a temperatura e a elasticidade da pele, a espessura do tecido subcutâneo e a presença de tumorações, “pelotões”, nódulos e relevos; a palpação profunda avalia a musculatura [1]. No lipedema, a pele costuma permanecer macia, com cor e textura normais, enquanto o tecido abaixo dela pode ser granular ou nodular [1].

A palpação também avalia dor. O Consenso Brasileiro de Lipedema registrou que a sensibilidade dolorosa à pressão ou ao alongamento é observada, por exemplo, pela palpação [4]. A reação ao toque é, portanto, parte do achado — tema de dor no lipedema e do verbete alodinia.

Sentir bolinhas ao passar a mão na perna é comum e, sozinho, não permite concluir nada. O que tem valor é o padrão — onde os nódulos estão, se há simetria, como a pele se comporta, se há dor — lido junto com a história e os demais sinais.

Os nódulos ao longo da evolução

A textura muda com a doença. Segundo o livro, no estágio 1 a pele é normal e macia, com a camada de gordura alargada; no estágio 2 a superfície fica desnivelada, com retrações e grandes montes de tecido crescendo como massas sem cápsula; no estágio 3 o tecido endurece e se espessa, com nódulos grandes e coxins de gordura, sobretudo nas coxas e em volta dos joelhos [1]. Uma revisão alemã descreve, nas fases avançadas, relevo em casca de laranja, pregueamento e nódulos pastosos sob a pele [5]. Os estágios estão em estadiamento do lipedema.

O que a palpação ajuda a diferenciar

Obesidade. Na comparação de Buck e Herbst, o tecido é macio tanto no lipedema quanto na obesidade, mas no lipedema é doloroso à palpação e na obesidade não [2]. O livro inclui o incômodo à palpação entre os sintomas que separam o lipedema da obesidade com gordura nos quadris e coxas [1]. Ver lipedema e obesidade.

Linfedema. No edema linfático crônico, a pele fica espessada e pouco móvel, e a consistência, cada vez mais elástica [1]; o tecido é firme e geralmente não dói à pressão [1,2].

Celulite. Muitas pacientes chamam os nódulos de “celulite” [1]. As diferenças entre as duas condições estão em lipedema ou celulite.

Doença de Dercum. A sensação nodular de “feijões num saco” do lipedema é a mesma de alguns tipos da doença de Dercum [3], o que torna a palpação insuficiente para separar as duas. Ver lipedema, fibromialgia e doença de Dercum.

Outros nódulos. Nem todo nódulo sob a pele é do lipedema, e o toque nem sempre distingue. Numa série brasileira de casos, nódulos dolorosos de lipedema foram retirados cirurgicamente por suspeita clínica de angiolipoma, um tumor benigno; a análise do tecido mostrou alteração hemorrágica e inflamatória crônica, e não tumor [6]. Um estudo brasileiro com ultrassom mostrou que os nódulos do lipedema não são todos iguais [7], assunto do texto sobre ultrassom e nódulos.

Limitações

A textura é descrita por comparação — areia, isopor, ervilhas — e não por medida, o que faz o achado depender da experiência de quem examina. Ela é compartilhada com outras condições, como a doença de Dercum, e pode se misturar à obesidade e à celulite. Um nódulo isolado, diferente do padrão do restante do tecido, pede avaliação própria. E nenhum achado de palpação fecha o diagnóstico, que é clínico e reúne vários sinais, como explicado em como é feito o diagnóstico do lipedema.

Perguntas frequentes

As bolinhas na gordura são sinal de lipedema?

Podem fazer parte do quadro: o tecido do lipedema pode ser granular ou nodular ao toque. Mas bolinhas também aparecem em outras condições, e o que conta é o conjunto — distribuição simétrica da gordura, pés poupados, dor à palpação, roxos fáceis.

Os nódulos do lipedema doem?

Com frequência, sim. A sensibilidade dolorosa à pressão é uma característica do lipedema e é pesquisada justamente durante a palpação.

Nódulo de lipedema é a mesma coisa que celulite?

Não, embora muitas pacientes usem a palavra “celulite” para descrever o que sentem. O lipedema é uma doença do tecido gorduroso, com dor e distribuição característica.

É preciso fazer ultrassom para avaliar os nódulos?

O diagnóstico do lipedema é clínico. O ultrassom pode complementar a avaliação e ajudar a caracterizar nódulos, sobretudo quando algum destoa do restante. A indicação é do profissional.

Referências

  1. Amato ACM. Propedêutica Vascular. São Paulo: Amato – Instituto de Medicina Avançada; 2024. ISBN 978-65-980001-0-3.
  2. Buck DW 2nd, Herbst KL. Lipedema: A Relatively Common Disease with Extremely Common Misconceptions. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2016;4(9):e1043. doi:10.1097/GOX.0000000000001043 PMID: 27757353
  3. Herbst KL. Rare adipose disorders (RADs) masquerading as obesity. Acta Pharmacol Sin. 2012;33(2):155-72. doi:10.1038/aps.2011.153 PMID: 22301856
  4. Amato ACM, Peclat APRM, Kikuchi R, de Souza AC, Silva MTB, Oliveira RHP, Benitti DA, Oliveira JCP. Consenso Brasileiro de Lipedema pela metodologia Delphi. J Vasc Bras. 2025;24:e20230183. doi:10.1590/1677-5449.202301831
  5. Reich-Schupke S, Altmeyer P, Stücker M. Thick legs – not always lipedema. J Dtsch Dermatol Ges. 2013;11(3):225-233. doi:10.1111/ddg.12024 PMID: 23231593
  6. Vargas D, Foureaux TO, Wortsman X, Sigrist RMS, Lellis R, Chagas LC, et al. Differentiation of Lipedema Nodules and Angiolipomas Based on the Ultrasound and Histopathologic Findings: A Case Series. Cureus. 2026. doi:10.7759/cureus.114807
  7. Foureaux TO, Vargas D, Lellis RF, Chagas LC, Cunha IW, Saiki PY, Soares EAS, Bizareli GNM, Bezerra AS, Amato ACM, Bueno AN. The Hyperechoic Nodules in Lipedema Are Not All the Same: Description of Criteria and Their Qualitative Patterns. J Biomed Sci Eng. 2025;18(10):401-407. doi:10.4236/jbise.2025.1810029

Esta página é material informativo da Associação Brasileira de Lipedema e não substitui consulta médica. As referências acima são de acesso público; parte delas tem autoria de pesquisadores brasileiros ligados à Associação.