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Lipedema e hipermobilidade articular: o que se sabe sobre a relação com Ehlers-Danlos

Lipedema e hipermobilidade articular: o que se sabe sobre a relação com Ehlers-Danlos

Muitas mulheres com lipedema contam que sempre foram “flexíveis”: apoiavam as palmas das mãos no chão sem dobrar os joelhos, encostavam o polegar no antebraço, faziam posições que as colegas não conseguiam. Não é uma impressão isolada. Há pelo menos dez anos, estudos registram hipermobilidade articular, isto é, articulações que se movem além do habitual, em parte das pessoas com lipedema. Daí surgiu a pergunta que muitas pacientes fazem no consultório: existe relação com a síndrome de Ehlers-Danlos?

Esta página, produzida pela Associação Brasileira de Lipedema, reúne o que foi publicado, mostra por que os números mudam tanto entre os estudos e separa o que está descrito do que ainda é hipótese. Sobre a síndrome em si e a circulação, veja também o vídeo Síndrome de Ehlers-Danlos e a má circulação.

Hipermobilidade, espectro de hipermobilidade e Ehlers-Danlos não são a mesma coisa

Hipermobilidade articular generalizada é um achado de exame: várias articulações com amplitude de movimento acima do esperado. O instrumento mais usado para medi-la é o escore de Beighton, que vai de 0 a 9 pontos e soma cinco manobras: dobrar o dedo mínimo para trás além de 90 graus, encostar o polegar no antebraço, estender o cotovelo além de 10 graus e o joelho além de 10 graus (cada uma dessas quatro vale um ponto por lado) e apoiar as mãos no chão sem dobrar os joelhos [1]. O ponto de corte que define “hipermóvel” varia entre os estudos, de 4 a 5 pontos ou mais, e essa escolha pesa nos resultados.

Ter articulações flexíveis não é doença. A mobilidade articular depende de idade, sexo, peso e treino físico [2], e hipermobilidade é comum em mulheres jovens. Num estudo brasileiro que examinou 394 universitários, 44,2% das mulheres atingiram o critério de hipermobilidade pelo escore de Beighton, com ponto de corte de 4 pontos [1].

A síndrome de Ehlers-Danlos do tipo hipermóvel (hEDS) é outra coisa: uma doença hereditária do tecido conjuntivo, com hipermobilidade generalizada, manifestações musculoesqueléticas e envolvimento mais discreto da pele. O diagnóstico é clínico e segue critérios internacionais publicados em 2017, mais restritivos que os anteriores. É o único tipo principal de Ehlers-Danlos sem defeito molecular conhecido, o que significa que não há exame genético que o confirme. Pessoas com hipermobilidade e sintomas que não preenchem esses critérios recebem outros rótulos, dentro de um espectro de condições relacionadas à hipermobilidade [2].

A distinção importa porque os estudos com lipedema reunidos aqui mediram, em sua maioria, hipermobilidade, seja pelo escore de Beighton, seja por pergunta à paciente. Eles não diagnosticaram Ehlers-Danlos pelos critérios de 2017.

O que os estudos com lipedema encontraram

Um dos primeiros registros sistemáticos veio de uma clínica norte-americana. Em 51 pacientes com lipedema, o escore médio de Beighton foi 4,2 e cerca de metade das mulheres somou 5 pontos ou mais: 40% no estágio 1, 54% no estágio 2 e 50% no estágio 3. Os autores não encontraram correlação entre o escore de Beighton e a intensidade da dor [3].

Dois anos depois, o mesmo grupo comparou 160 pacientes com lipedema e 94 com doença de Dercum. Tinham hipermobilidade 58% das pacientes com lipedema, contra 23% das pacientes com Dercum. No lipedema, a proporção subia com o estágio: 26,9% no estágio 1, 59,5% no estágio 2, 66,7% no estágio 3 e 85,6% no lipolinfedema, este último num grupo de apenas sete pacientes. Os próprios autores registraram que a equipe não tinha formação específica na aplicação do escore de Beighton [4].

Desde então, outros centros publicaram números muito diferentes:

Estudo Quem foi avaliado Como a hipermobilidade foi medida Resultado
Herbst e colaboradores, 2015, EUA [3] 51 pacientes de clínica especializada Beighton, 5 pontos ou mais cerca de 50%
Beltran e Herbst, 2017, EUA [4] 160 pacientes com lipedema Beighton, 5 pontos ou mais 58%
Wright e colaboradores, 2023, EUA [5] 189 mulheres operadas registro de comorbidades 50,5%
Al-Ghadban e colaboradores, 2025, EUA [6] 102 pacientes de um único médico Beighton, 5 pontos ou mais 75% no estágio 1, 85% no estágio 2, 67% no estágio 3
Patton e colaboradores, 2024, Itália [7] 232 pacientes avaliadas Beighton, 5 pontos ou mais 31,5%
Grigoriadis e colaboradores, 2022, Reino Unido [8] 185 pacientes exame clínico 17,8%
Amato e colaboradores, 2022, Brasil [9] mulheres com critérios de lipedema numa amostra da população autorrelato 9,7%
Luta e colaboradores, 2025, Suíça [10] 381 pacientes Beighton, 5 pontos ou mais 4,2%
Simarro Blasco e colaboradores, 2025, Espanha [11] 1.803 pacientes Beighton e sinais acessórios 95,8% com hiperlassidão ligamentar; escore médio de 7,5
Forner-Cordero e colaboradores, 2021, Espanha [12] 73 pacientes Beighton acima de 3 pontos 44%
Aday e colaboradores, 2024, EUA [13] 707 mulheres com lipedema e 216 sem questionário chance 12,88 vezes maior que no grupo sem lipedema
Fiengo e Sbarbati, 2025, Itália [14] 670 respondentes questionário on-line 44% na vida adulta; 60% lembravam ter sido crianças hipermóveis

O estudo brasileiro merece uma nota. Ele foi feito numa amostra da população geral, e não numa clínica: entre as mulheres com critérios para lipedema, 9,7% relataram articulações hipermóveis, contra 0,45% das demais, uma associação estatisticamente significativa, mas que corresponde a apenas três mulheres. Os autores observaram que a hipermobilidade, embora descrita como associada ao lipedema, não havia sido frequente em levantamentos na Polônia e na Holanda [9]. Os pesquisadores suíços, que encontraram 4,2%, chamaram atenção para o mesmo contraste e concluíram que resultados tão conflitantes pedem esclarecimento [10].

Por que os números variam tanto

Entre 4,2% e 95,8% há uma distância grande demais para ser acaso. Os próprios estudos apontam algumas explicações.

O ponto de corte. Uns consideram hipermóvel quem soma 4 pontos no escore de Beighton, outros exigem 5, outros aceitam mais de 3 [1, 4, 12].

Exame ou autorrelato. Parte dos dados vem de exame físico; parte, de perguntas respondidas pela própria paciente [9, 13, 14]. O estudo italiano on-line não confirmou o diagnóstico de lipedema nem usou questionário validado [14].

A idade. A mobilidade articular tende a cair com os anos. Na hEDS, o escore de Beighton costuma ficar abaixo de 5 por volta da quarta década de vida [2]. No estudo com 102 pacientes, a proporção de hipermobilidade foi menor no estágio 3, mas essas mulheres eram também as mais velhas [6].

Quem examina e onde. A maioria dos números vem de centros especializados em lipedema, que recebem os casos mais complexos. Vários dos percentuais mais altos saíram de um mesmo grupo de pesquisa norte-americano [3–6], e a coorte espanhola, a maior de todas, foi atendida num instituto especializado na doença [11].

A falta de comparação. Só o levantamento norte-americano com 707 mulheres comparou as pacientes com um grupo sem lipedema, ajustando para idade e índice de massa corporal, e ele se baseou em autorrelato [13]. Sem grupo de comparação, é difícil dizer se 30% ou 50% é muito, já que a hipermobilidade também é frequente em mulheres jovens sem a doença [1].

O estágio. Um estudo viu a hipermobilidade aumentar com o estágio do lipedema [4]; outros dois não encontraram diferença entre os estágios [3, 7].

O Roteiro de Pesquisa em Lipedema, documento internacional publicado em 2023, resumiu a literatura como relatando hipermobilidade em 17% a 58% das pacientes e colocou entre as perguntas em aberto qual é, de fato, a porcentagem de pessoas com lipedema que são hipermóveis, incluindo as que têm hEDS ou condições do espectro [15].

E a síndrome de Ehlers-Danlos?

Os dados sobre Ehlers-Danlos propriamente dita são mais escassos. Numa série de 62 mulheres operadas nos Estados Unidos, 25,8% relataram já ter recebido diagnóstico de Ehlers-Danlos e 77,4% disseram ser mais flexíveis que a média, informações colhidas por questionário [16]. Há também um relato de caso publicado, de uma mulher jovem com diagnóstico de lipedema, de hEDS e de anorexia nervosa [17].

Um estudo-piloto partiu do caminho inverso e avaliou 25 pessoas com hEDS diagnosticada pelos critérios de 2017. As 17 que tinham também lipedema ou doença de Dercum apresentaram, ao ultrassom, fáscias superficial e profunda mais espessas que as 8 com hEDS isolada. O grupo era pequeno, o diagnóstico de lipedema usou o próprio ultrassom e todas as medidas foram feitas por uma única examinadora [18].

O Consenso Brasileiro de Lipedema, de 2025, registrou a questão com cautela: “O lipedema pode estar relacionado a condições do tecido conjuntivo, como a síndrome de Ehlers-Danlos, especialmente no que tange a variações na gravidade da hipermobilidade articular” [19]. A palavra que importa é “pode”. Nenhum dos estudos reunidos aqui mediu, com os critérios de 2017, quantas pessoas com lipedema têm hEDS.

O que se supõe sobre essa ligação

As hipóteses publicadas partem de uma ideia comum: o lipedema seria uma doença do tecido conjuntivo frouxo, e não só das células de gordura. O padrão de cuidado norte-americano de 2021 descreve a doença assim e interpreta a hipermobilidade como compatível com essa visão [20]. Um grupo de pesquisa lembrou que a síndrome de Williams, causada pela perda de genes que incluem o da elastina, cursa com um fenótipo semelhante ao lipedema, o que apoiaria a hipótese de perda de elasticidade do tecido [21]. Outro trabalho propôs que uma alteração do tecido conjuntivo poderia mudar a estrutura dos vasos e a complacência do tecido, favorecendo a saída de líquido para o espaço entre as células [22]. O estudo italiano por questionário foi além e sugeriu que a frouxidão do tecido conjuntivo poderia ter papel crítico na origem do lipedema [14].

São hipóteses coerentes entre si, mas nenhuma foi demonstrada. Não se sabe se a hipermobilidade contribui para o lipedema, se as duas condições compartilham uma causa ou se a associação reflete, em parte, o perfil das pacientes que chegam aos centros especializados.

Por que isso importa no dia a dia: as articulações

A consequência prática mais clara está nas articulações que sustentam o peso. O padrão de cuidado norte-americano afirma que a distribuição desproporcional do tecido do lipedema, somada à hipermobilidade e à fraqueza muscular, compromete a estabilidade postural e o equilíbrio, e frequentemente resulta em aumento da curvatura lombar, joelho valgo (joelhos que se aproximam, “em X”), tornozelo que cai para dentro e achatamento do arco do pé [20].

Uma publicação de 2025 do presidente da Associação descreve essa sequência no joelho: a coxa perde força, o joelho desvia para dentro, o pé perde o arco e a cartilagem atrás da patela passa a sofrer sobrecarga, até a condromalácia. Nesse cenário, a articulação que se move demais sem controle muscular suficiente amplia os desvios. Nas palavras do artigo, a hipermobilidade não causa a cascata, mas alarga o funil por onde ela passa [23]. O tema está detalhado em condromalácia no lipedema e em lipedema no joelho.

Por isso, os autores do estudo de 2017 escreveram que articulações hipermóveis são causa importante de problemas musculoesqueléticos no lipedema e devem levar ao encaminhamento para fisioterapia, para prevenir dano articular [4]. O padrão de cuidado norte-americano recomenda considerar a avaliação da hipermobilidade, pelo escore de Beighton ou por questionário, quando o lipedema é diagnosticado, e que a fisioterapeuta avalie postura, equilíbrio, força muscular, marcha e hipermobilidade. As duas recomendações foram classificadas com qualidade de evidência baixa, o grau C do documento [20]. Existe uma versão em português, validada no Brasil, de um questionário de cinco perguntas para identificar hipermobilidade. Ele serve como triagem, com sensibilidade de 70,9% e especificidade de 77,4% em relação ao exame, e não substitui a avaliação presencial [1].

Exercício com articulações flexíveis

Hipermobilidade não é motivo para deixar de se exercitar. Na hEDS, fisioterapia, educação e dosagem do esforço são considerados centrais no cuidado dos sintomas musculoesqueléticos [2]. Uma revisão sobre fisioterapia no lipedema lembra que exercícios resistidos são usados na hipermobilidade para fortalecer e proteger as articulações, e recomenda que sejam introduzidos cedo [24].

A publicação sobre condromalácia propõe priorizar o controle sobre a amplitude: fortalecimento progressivo dos músculos do quadril e do quadríceps, treino dos músculos do pé, ganho de mobilidade do tornozelo feito com segurança, suporte do arco por tempo limitado enquanto a força aumenta e cautela com alongamentos levados ao extremo do movimento [23]. O Consenso Brasileiro acrescenta que o exercício, no lipedema, deve ser bem escolhido, evitando atividades de alto impacto que possam piorar os sintomas [19].

É preciso ser honesto sobre a força dessa evidência. Uma revisão sistemática sobre exercício na síndrome de hipermobilidade articular, fora do contexto do lipedema, encontrou apenas quatro estudos. Os participantes melhoraram ao longo do tempo, mas não houve demonstração convincente de que o exercício fosse superior ao grupo de controle, nem de que um tipo específico fosse melhor que outro, e a qualidade metodológica era baixa [25]. Na prática, o programa deve ser individualizado e acompanhado por profissional com experiência em lipedema. Mais orientações em fisioterapia no lipedema e exercício físico e lipedema.

O que ainda não se sabe

Faltam respostas básicas: a frequência real de hipermobilidade no lipedema, medida da mesma forma e com grupo de comparação; quantas pacientes preenchem os critérios de hEDS; se a hipermobilidade vem antes do lipedema (no estudo italiano, 60% lembraram ter sido crianças hipermóveis, mas lembrança não é medida [14]); e se ela influencia a progressão da doença [3, 4, 7].

O Roteiro de Pesquisa em Lipedema propõe investigar se existe um fenótipo de frouxidão articular sistêmica, o que permitiria testar a hipótese de doença generalizada do tecido conjuntivo [15]. O Registro Científico do Lipedema acompanha como a evidência sobre esta e outras perguntas evolui.

Articulações muito flexíveis, dor articular ou entorses frequentes são informações que valem ser levadas à consulta. Veja qual médico trata lipedema.

Perguntas frequentes

Toda pessoa com lipedema tem hipermobilidade?

Não. Os estudos encontraram hipermobilidade em 4,2% a 95,8% das pacientes, conforme o país, o método, o ponto de corte e o tipo de serviço.

Hipermobilidade é o mesmo que síndrome de Ehlers-Danlos?

Não. Hipermobilidade é um achado de exame, comum em mulheres jovens sem doença. A síndrome de Ehlers-Danlos do tipo hipermóvel é uma doença hereditária do tecido conjuntivo, diagnosticada por critérios clínicos de 2017 que exigem mais do que articulações flexíveis.

Ter hipermobilidade piora o lipedema?

Não se sabe. Um estudo encontrou mais hipermobilidade nos estágios avançados; outros dois não encontraram diferença, e não houve relação com a intensidade da dor. O efeito mais claro é sobre as articulações, que ficam mais sobrecarregadas quando hipermobilidade, fraqueza muscular e excesso de tecido se somam.

Quem tem lipedema e articulações flexíveis deve evitar exercício?

Não. O exercício continua indicado, mas bem escolhido: força e controle do movimento em primeiro lugar, cautela com alongamentos extremos e atividades de alto impacto, de preferência com acompanhamento profissional.

Como a hipermobilidade é avaliada?

Pelo escore de Beighton, cinco manobras examinadas por médico ou fisioterapeuta, com pontuação de 0 a 9. Há também um questionário validado em português, útil como triagem. O diagnóstico de Ehlers-Danlos do tipo hipermóvel exige avaliação clínica pelos critérios internacionais.

Referências

  1. Moraes DA, Baptista CA, Crippa JAS, Louzada-Junior P. Tradução e validação do The five part questionnaire for identifying hypermobility para a língua portuguesa do Brasil. Rev Bras Reumatol. 2011;51(1):53–69.
  2. Tinkle B, Castori M, Berglund B, Cohen H, Grahame R, Kazkaz H, Levy H. Hypermobile Ehlers-Danlos syndrome (a.k.a. Ehlers-Danlos syndrome Type III and Ehlers-Danlos syndrome hypermobility type): Clinical description and natural history. Am J Med Genet C Semin Med Genet. 2017;175(1):48-69. doi:10.1002/ajmg.c.31538. PMID: 28145611.
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  4. Beltran K, Herbst KL. Differentiating lipedema and Dercum’s disease. Int J Obes (Lond). 2017;41(2):240-245. doi:10.1038/ijo.2016.205 PMID: 27857136
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  6. Al-Ghadban S, Evancio JV, Alfiscar PEF, Herbst KL. New Characterization of Lipedema Stages: Focus on Pain, Water, Fat and Skeletal Muscle. Life (Basel). 2025 Sep 3;15(9):1397. doi:10.3390/life15091397. PMID: 41010339
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  8. Grigoriadis D, Sackey E, Riches K, van Zanten M, Brice G, England R, et al. Investigation of clinical characteristics and genome associations in the ‘UK Lipoedema’ cohort. PLoS ONE. 2022;17(10):e0274867. doi:10.1371/journal.pone.0274867
  9. Amato ACM, Amato FCM, Amato JLS, Benitti DA. Lipedema prevalence and risk factors in Brazil. J Vasc Bras. 2022;21:e20210198. doi:10.1590/1677-5449.202101981 PMID: 35677743
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  12. Forner-Cordero I, Forner-Cordero A, Szolnoky G. Update in the management of lipedema. Int Angiol. 2021;40(4). doi:10.23736/S0392-9590.21.04604-6
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Esta página é material informativo da Associação Brasileira de Lipedema e não substitui consulta médica. As referências acima são de acesso público; parte delas tem autoria de pesquisadores brasileiros ligados à Associação.

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