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Dor nas Pernas: Causas Comuns e Quando Procurar Ajuda

Dor nas pernas é uma das queixas mais comuns em qualquer consultório, e as causas vão de um treino puxado a uma emergência vascular. Esta página, produzida pela Associação Brasileira de Lipedema, organiza as causas mais frequentes pelo tipo de dor e lista os sinais que pedem atendimento imediato. Explica também uma causa pouco lembrada: o lipedema, doença em que a perna dói ao toque.

Nada aqui substitui avaliação médica. O objetivo é ajudar você a descrever melhor o que sente e a saber quando não esperar.

Primeiro: quando procurar atendimento imediato

  • Perna inchada de um lado só, dolorida, quente ou avermelhada, principalmente depois de viagem longa, cirurgia, imobilização, gestação ou uso de hormônio. Pode ser trombose venosa.
  • Falta de ar súbita, dor no peito ou tosse com sangue, com ou sem dor na perna. Pode ser embolia pulmonar. Ligue 192.
  • Perna fria, pálida ou arroxeada, com dor intensa de início súbito, fraqueza ou dormência. Pode ser obstrução arterial aguda.
  • Vermelhidão quente que se espalha, com febre. Pode ser erisipela ou celulite infecciosa.
  • Dor após trauma com deformidade ou impossibilidade de apoiar o pé.

Causas comuns, pelo tipo de dor

Peso, cansaço e inchaço que pioram no fim do dia

É o padrão da doença venosa crônica: as veias têm dificuldade de levar o sangue de volta ao coração. Piora em pé, parada e no calor, e melhora ao elevar as pernas e ao caminhar. Pode vir com varizes, vasinhos e inchaço no tornozelo. Compressão, exercício e avaliação vascular são o caminho.

Dor na panturrilha ao caminhar, que passa ao parar

É a chamada claudicação intermitente, sinal típico de doença arterial periférica: as artérias estreitadas não levam sangue suficiente para o músculo em esforço. É mais comum em fumantes, diabéticos, hipertensos e em quem tem colesterol alto. Merece avaliação, porque sinaliza risco cardiovascular também em outros órgãos.

Queimação, choque, formigamento ou dormência

Sugere origem nervosa: compressão de raiz na coluna (a dor que “desce” pela perna, como na ciatalgia) ou neuropatia periférica, frequente no diabetes e em algumas deficiências vitamínicas.

Dor muscular, cãibras e dor nas articulações

Esforço, falta de condicionamento, desidratação e alguns medicamentos causam dor muscular e cãibras. Dor no joelho, no quadril ou no tornozelo, que piora com o movimento, costuma ser articular, como na artrose ou no desalinhamento.

Dor difusa pelo corpo, com cansaço e sono ruim

Pode estar ligada a condições como a fibromialgia ou a alterações da tireoide, que exigem avaliação clínica global.

Pernas que doem ao toque, com hematomas fáceis

Esse é o padrão do lipedema, descrito na próxima seção.

Quando a dor nas pernas é lipedema

O lipedema é uma doença crônica do tecido gorduroso que atinge quase só mulheres. A dor dele tem um jeito próprio. Não é a dor do esforço nem a do nervo: é sensibilidade. Dói apertar, dói encostar, dói o abraço da criança na perna, e aparecem manchas roxas sem pancada. Os outros sinais que costumam acompanhar são:

  • aumento de volume dos dois lados por igual, desproporcional ao tronco;
  • pés preservados, com “degrau” no tornozelo;
  • sensação de peso, pior no calor e no fim do dia;
  • gordura que não sai das pernas com dieta;
  • início ou piora na puberdade, gestação ou menopausa;
  • casos parecidos na família.

Muitas pacientes passam anos ouvindo que a dor “é da cabeça” ou “é do peso”. A dor do lipedema é real e tem tratamento. Veja dor no lipedema: por que acontece e o que alivia. Se os sinais parecem com os seus, faça a autoavaliação gratuita de lipedema da ABL.

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Como descrever a dor na consulta

  • Onde dói, e se é de um lado ou dos dois.
  • Como é a dor: peso, pontada, queimação, choque, sensibilidade ao toque.
  • Quando aparece: ao caminhar, em pé, no fim do dia, à noite, ao encostar.
  • O que melhora: parar, elevar as pernas, compressão, movimento.
  • O que acompanha: inchaço, hematomas, varizes, formigamento, mudança de cor.
  • Há quanto tempo, e se mudou com fases hormonais, ganho de peso ou medicamentos.

O médico vascular (cirurgião vascular ou angiologista) avalia veias, artérias, sistema linfático e lipedema numa mesma consulta. Veja como falar com o médico sobre lipedema e qual médico trata lipedema.

A Associação Brasileira de Lipedema é uma organização sem fins lucrativos, inscrita no CNPJ 35.839.205/0001-40, mantida por doações e trabalho voluntário. Não vendemos produtos, não fazemos atendimento clínico e não agendamos consultas.

Perguntas frequentes

Quando a dor nas pernas é urgência?

Perna inchada de um lado só, dolorida e quente; falta de ar ou dor no peito; perna fria, pálida e com dor súbita intensa; vermelhidão quente que se espalha com febre. Nesses casos procure atendimento imediato ou ligue 192.

O que causa peso e dor nas pernas no fim do dia?

O padrão mais comum é a doença venosa crônica, que piora em pé e no calor e melhora com elevação e caminhada. O lipedema também causa peso, com dor ao toque e hematomas fáceis.

Dor na panturrilha ao caminhar que passa ao parar é o quê?

É a claudicação intermitente, sinal típico de doença arterial periférica, mais comum em fumantes e diabéticos. Merece avaliação vascular porque indica risco cardiovascular.

Como é a dor do lipedema?

É sensibilidade: dói apertar ou encostar nas pernas, aparecem hematomas sem pancada, e o aumento de volume é simétrico, com pés preservados. É uma dor real e tem tratamento.

Qual médico procurar para dor nas pernas?

O cirurgião vascular ou angiologista avalia veias, artérias, sistema linfático e lipedema. Dor com formigamento ou que desce da coluna pode exigir também avaliação neurológica ou ortopédica.

Referências

  1. Kakkos SK, Gohel M, Baekgaard N et al. Editor's Choice – European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2021 Clinical Practice Guidelines on the Management of Venous Thrombosis. European Journal of Vascular and Endovascular Surgery. 2021;61(1):9-82. doi:10.1016/j.ejvs.2020.09.023
  2. Gerhard-Herman MD, Gornik HL, Barrett C et al. 2016 AHA/ACC Guideline on the Management of Patients With Lower Extremity Peripheral Artery Disease: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Clinical Practice Guidelines. Circulation. 2017;135(12). doi:10.1161/CIR.0000000000000471
  3. Eberhardt RT, Raffetto JD Chronic Venous Insufficiency. Circulation. 2014;130(4):333-346. doi:10.1161/CIRCULATIONAHA.113.006898
  4. Aksoy H, Karadag AS, Wollina U Cause and management of <scp>lipedema‐associated</scp> pain. Dermatologic Therapy. 2020;34(1). doi:10.1111/dth.14364
  5. Amato ACM, Peclat APRM, Kikuchi R et al. Brazilian Consensus Statement on Lipedema using the Delphi methodology. Jornal Vascular Brasileiro. 2025;24. doi:10.1590/1677-5449.202301832

Esta página é material informativo da Associação Brasileira de Lipedema e não substitui consulta médica. As referências acima são de acesso público; parte delas tem autoria de pesquisadores brasileiros ligados à Associação.