Pular para o conteúdo

Treino de Pernas em Casa: Versão Segura para Quem Tem Dor ou Inchaço

Dá para fortalecer as pernas em casa, sem aparelho, com segurança. Esta página, produzida pela Associação Brasileira de Lipedema, traz uma sequência de exercícios pensada também para quem tem dor, peso ou inchaço nas pernas, como acontece no lipedema e na doença venosa. Explica como progredir e quando parar. Não é prescrição individual: se você tem doença articular, cardíaca ou dor importante, peça a um profissional para adaptar.

Por que fortalecer as pernas

  • A panturrilha forte bombeia melhor o sangue de volta ao coração, o que alivia peso e inchaço.
  • Coxas e glúteos fortes protegem os joelhos e melhoram a estabilidade.
  • Mais músculo significa melhor metabolismo e mais facilidade para as atividades do dia a dia.
  • A OMS recomenda fortalecimento muscular pelo menos dois dias por semana, além da atividade aeróbica.

Sequência de treino em casa

Faça 2 a 3 vezes por semana, em dias alternados. Comece com 2 séries de 10 repetições de cada exercício, com 1 minuto de descanso. Aqueça antes com 5 minutos de marcha no lugar.

  1. Bombinha de tornozelo (deitada, pernas elevadas). Deitada, com as pernas apoiadas numa almofada ou na parede, puxe e empurre os pés, como se pisasse num pedal. Faça 20 vezes. Ajuda o retorno venoso e é um ótimo começo.
  2. Ponte de glúteo. Deitada de barriga para cima, joelhos dobrados e pés no chão, eleve o quadril até alinhar tronco e coxas, segure 2 segundos e desça devagar.
  3. Sentar e levantar da cadeira. Sente e levante sem usar as mãos, com os pés afastados na largura do quadril e os joelhos apontando para a frente. É o agachamento mais seguro para começar.
  4. Abdução deitada de lado. Deitada de lado, perna de baixo dobrada, eleve a perna de cima esticada até a altura do quadril, sem girar o pé para cima.
  5. Elevação de calcanhar (em pé). Apoiada no encosto de uma cadeira, suba na ponta dos pés e desça devagar. Trabalha a panturrilha, a principal “bomba” das pernas.
  6. Extensão de joelho sentada. Sentada, estique uma perna até ficar reta, segure 2 segundos e desça. Fortalece a coxa com pouca carga no joelho.

Termine com 5 minutos de alongamento leve e, se possível, com as pernas elevadas por alguns minutos.

Como progredir

  • Quando 2 × 10 ficar fácil, passe para 3 × 12.
  • Depois, acrescente carga: caneleira leve, garrafa de água ou elástico.
  • No agachamento, abaixe a altura da cadeira aos poucos.
  • Na elevação de calcanhar, passe a fazer com uma perna só.

Cuidados para quem tem dor ou inchaço

  • Prefira exercícios lentos e controlados. Saltos e corrida podem ficar para depois.
  • Use a meia de compressão durante o treino, se foi indicada para você.
  • Evite treinar nas horas mais quentes do dia.
  • Um desconforto muscular leve no dia seguinte é esperado. Dor articular aguda, inchaço que piora muito ou hematomas grandes não são: reduza a carga e procure orientação.
  • Pare se houver dor no peito, falta de ar ou tontura.

Treino de pernas e lipedema

No lipedema, doença crônica do tecido gorduroso que atinge sobretudo mulheres, fortalecer as pernas faz parte do tratamento conservador. O treino não elimina a gordura da doença, mas melhora dor, mobilidade e proteção dos joelhos. Muitas mulheres percebem que treinam, fazem dieta e as pernas não mudam. Esse é um dos sinais da doença.

Se as suas pernas também doem ao toque e ficam roxas com facilidade, faça a autoavaliação gratuita de lipedema da ABL.

🩺

Rastreamento de Lipedema

Responda 9 perguntas e descubra a sua probabilidade de ter lipedema.

9 perguntas · leva ~1 min

Para aprofundar: exercícios para lipedema, lipedema no joelho e caminhada: benefícios.

A Associação Brasileira de Lipedema é uma organização sem fins lucrativos, inscrita no CNPJ 35.839.205/0001-40, mantida por doações e trabalho voluntário. Não vendemos produtos nem programas de treino, não fazemos atendimento clínico e não agendamos consultas.

Perguntas frequentes

Como treinar pernas em casa sem aparelho?

Com exercícios de peso corporal: ponte de glúteo, sentar e levantar da cadeira, abdução deitada de lado, elevação de calcanhar e extensão de joelho sentada, 2 a 3 vezes por semana.

Quantas vezes por semana treinar pernas?

A OMS recomenda fortalecimento muscular pelo menos dois dias por semana. Para as pernas, 2 a 3 sessões em dias alternados são suficientes para começar.

Como progredir o treino?

Primeiro aumente as repetições (de 2 × 10 para 3 × 12), depois acrescente carga com caneleira, garrafa ou elástico, abaixe a cadeira do agachamento e faça a elevação de calcanhar com uma perna só.

Quem tem dor ou inchaço nas pernas pode treinar?

Pode, com exercícios lentos e controlados, sem saltos no início, com meia de compressão se indicada e fora das horas quentes. Dor articular aguda ou inchaço que piora muito pedem ajuste.

Treino de pernas afina as pernas no lipedema?

Não elimina a gordura da doença, mas melhora dor, mobilidade e protege os joelhos. Treinar e não ver as pernas mudarem é, inclusive, um dos sinais do lipedema.

Referências

  1. Bull FC, Al-Ansari SS, Biddle S et al. World Health Organization 2020 guidelines on physical activity and sedentary behaviour. British Journal of Sports Medicine. 2020;54(24):1451-1462. doi:10.1136/bjsports-2020-102955
  2. Sakizli Erdal E, Ergin C, Haspolat M et al. Effects of multimodal exercise program on edema, pain, exercise capacity, lower extremity muscle strength and function in patients with lipedema. Phlebology: The Journal of Venous Disease. 2025;41(1):47-57. doi:10.1177/02683555251343148
  3. Czerwińska M, Gruszecki M, Rumiński J et al. Evaluation of the Effectiveness of Compression Therapy Combined with Exercises Versus Exercises Only Among Lipedema Patients Using Various Outcome Measures. Life. 2024;14(11):1346. doi:10.3390/life14111346
  4. Amato AC Chondromalacia in Lipedema: The Sarcopenic–Valgus Cascade That Keeps Getting Missed. Cureus. 2025. doi:10.7759/cureus.95299

Esta página é material informativo da Associação Brasileira de Lipedema e não substitui consulta médica. As referências acima são de acesso público; parte delas tem autoria de pesquisadores brasileiros ligados à Associação.